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Por uma aprendizagem efetiva

Como disseminar o conhecimento na empresa e alcançar resultados significativos

Fala-se muito em novos processos de aprendizagem nas organizações modernas. Pois bem, este tema é importante, pois coloca a questão das interações entre as pessoas e suas atividades numa perspectiva de mudança constante e aperfeiçoamento contínuo. No entanto, para que a aprendizagem organizacional seja realmente efetiva, é necessário que se entenda seus princípios básicos. Vejamos:

A aprendizagem pode ser definida como o modo como os seres adquirem novos conhecimentos, desenvolvem competências e mudam o comportamento. A complexidade desse processo se dá, principalmente, porque é difícil entender a aprendizagem se fizermos recortes de realidade para explicá-la. Aprendizagem é um todo. As explicações são apenas pequenos esclarecimentos sobre fragmentos daquilo que se pretende entender. Tomar a parte pelo todo é reduzir o todo a algo explicável. Isto nos desafia a ver o todo de qualquer coisa, o que só ocorre se considerarmos quatro premissas básicas.

Primeiramente, a aprendizagem deve transitar da dimensão individual para a dimensão coletiva. O conhecimento, quando ensimesmado, torna-se fonte de solidão e de doença. Saber é saber para todos e não para si. Esse egoísmo epistêmico torna-nos cheios de informação, vazios de sabedoria e prepotentes. Se sei, sei para nós. Quando um observador descobre o verdadeiro sentido do conhecimento, descobre o outro em sua frente. O papel do saber é esvair-se dele para continuar a aprender.

Ter com quem compartilhar o conhecimento nos torna capazes de descobrir as diferenças e conviver com elas. Diferenças agregam conhecimento como possibilidade. Não se trata de adesão a tudo. Trata-se de reconhecer que o que sei é apenas uma possibilidade entre infinitas possibilidades. Posso não concordar com a percepção do outro observador, mas devo reconhecer que sua percepção é legítima.

Em segundo lugar, a aprendizagem deve transitar da desagregação para a agregação. Conhecer é fazer com que o entendimento seja capaz de manter distintos observadores juntos, apesar de suas diferenças. O grupo de observadores, em processo de relacionamento, constrói algo que lhes é comum e é esse algo que os mantém juntos como grupo. Conhecer, com efetividade, é ter a consciência de que participo de algo que me mobiliza, mas que também é fruto de minhas interações.

Em terceiro lugar, a aprendizagem efetiva abre mão do juízo crítico e caminha para a aprendizagem comprometida. Isso quer dizer que a crítica pela crítica é uma forma adoecida de relacionamento. Quando critico, mas não estou disposto a contribuir para a mudança, o que faço, de fato, é instalar um clima desagregador. Isso contribui para uma drástica redução da capacidade do grupo de se auto superar. Contamino os outros por um imobilismo cuja consequência é um cinismo relacional.

Na aprendizagem comprometida, a crítica é uma declaração do modo diferente como vejo as coisas, mas, embutido neste modo, há o desejo e a disposição para uma ação concreta e verdadeira na direção da mudança. Não é necessário que tudo aconteça do modo como desejo, mas, a crítica feita, sugere uma ação possível. A aprendizagem efetiva requer uma atitude proativa em relação às coisas e aos relacionamentos.

Em último lugar, a aprendizagem efetiva sugere que se tenha um deslocamento da premissa científica para a experiência existencial, em primeira instância. Considerar isso nos leva a entender que a experiência existencial precede a razão científica das coisas. Todos nós temos experiências existenciais com as coisas bem antes de ter alguma explicação sobre elas. Nossa perspectiva experimental é mais intensa do que a racionalidade com a qual explicamos essa experiência. Uma descrição pormenorizada de uma determinada fruta é bem mais pobre do que a experiência de degustá-la.

Longe de mim descrer da possibilidade científica, mas quero acentuar que a experiência existencial fornece uma possibilidade cognitiva-emocional bem mais intensa. Podemos viver sem a ciência - aliás a humanidade fez isso durante milênios - mas não vivemos sem a "experiência com as coisas". A aprendizagem efetiva inaugura uma nova forma de ver nossas relações com a novidade e com o desconhecido. Propõe a novidade como método, o envolvimento como hábito e o outro como parceiro.

*Homero Reis é coach e consultor em gente e gestão
 
Fonte: Você RH

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